Febre em Crianças: Devo ir ao Pronto-Socorro?

A febre é uma das situações que mais preocupam os pais. Quando o termômetro mostra uma temperatura elevada, é comum surgir a dúvida: meu filho está com febre, devo levá-lo ao pronto-socorro?

Apesar de a febre ser frequentemente uma resposta natural do organismo contra infecções, alguns sinais indicam que a criança precisa de avaliação médica. Mais importante do que olhar apenas o número da temperatura é observar a idade da criança, o estado geral e a presença de sinais de alerta.

O que é considerado febre em crianças?

A febre, quando medida por temperatura axilar, é geralmente definida como uma temperatura igual ou superior a 37,5°C.

A preocupação com a febre varia conforme a idade:

– Recém-nascidos (até 28 dias): febre é considerado um sinal de alerta e necessita avaliação médica urgente. Lembrar que recém nascidos podem elevar a temperatura, em geral abaixo de 38°C, se estiverem muito agasalhados. Por isso é importante afastar essa possibilidade. 

– Bebês de 1 a 3 meses: a febre merece avaliação pediátrica, principalmente se houver queda do estado geral.

– Crianças maiores de 3 meses: temperaturas mais elevadas podem ocorrer em infecções comuns, mas a necessidade de atendimento depende principalmente dos sintomas associados, do estado geral da criança e da duração e intensidade da febre.

Uma criança com febre de 39°C que brinca, aceita líquidos e interage pode estar em uma situação menos preocupante do que uma criança com 38°C que está muito abatida, sonolenta ou com dificuldade para respirar.

Febre no bebê: quando a ida ao pronto-socorro é necessária?

Nos bebês pequenos, a febre merece atenção especial porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

Procure atendimento de emergência se o bebê apresentar:

– Febre em bebê com menos de 3 meses;

– Sonolência excessiva ou dificuldade para acordar;

– Choro inconsolável ou comportamento muito diferente do habitual;

– Recusa persistente das mamadas;

– Diminuição importante da quantidade de urina;

– Respiração acelerada ou dificuldade para respirar;

– Pele arroxeada, manchas pelo corpo ou palidez intensa;

– Convulsão associada à febre.

Febre em criança: sinais de alerta que indicam emergência

Além da temperatura, alguns sinais devem chamar a atenção dos pais. Entre eles:

1. Alteração do estado geral

O comportamento da criança é um dos principais indicadores.

Procure avaliação médica se ela estiver:

– Muito prostrada;

– Sem vontade de brincar mesmo após a febre baixar;

– Confusa ou com dificuldade para responder;

– Excessivamente sonolenta.

2. Dificuldade para respirar

A febre acompanhada de alterações respiratórias pode indicar uma infecção que precisa ser avaliada.

Sinais importantes:

– Respiração muito rápida;

– Esforço para respirar;

– Lábios arroxeados;

– Gemência.

3. Sinais de desidratação

A febre aumenta a perda de líquidos. Procure atendimento se houver:

– Boca muito seca;

– Ausência de lágrimas ao chorar;

– Pouca urina;

– Recusa de líquidos;

– Vômitos repetidos impedindo a hidratação.

Ficou em dúvida sobre os sintomas do seu filho?

Não passe a noite em claro com ansiedade. Se os sintomas persistem ou se você busca uma avaliação individualizada e cuidadosa, clique abaixo para falar conosco.

Quando uma febre pode ser observada em casa?

Em crianças maiores, que estão em bom estado geral, alguns quadros podem ser acompanhados inicialmente em casa com orientação adequada.

É possível observar quando a criança:

– Está ativa entre os episódios de febre;

– Aceita líquidos;

– Está urinando normalmente;

– Respira bem;

– Não apresenta sinais de alerta;

– Melhora após medidas para conforto.

A temperatura isoladamente não define gravidade. Uma febre de 40°C pode acontecer em algumas infecções virais sem complicações, enquanto temperaturas menores podem acompanhar doenças que precisam de avaliação.

O que fazer enquanto aguarda atendimento?

Enquanto se organiza para procurar ajuda:

– Ofereça líquidos com frequência;

– Mantenha roupas leves e ambiente confortável;

– Não faça banhos gelados ou utilize álcool na pele;

– Evite cobrir excessivamente a criança;

– Observe o comportamento, respiração e hidratação;

– Leve informações importantes ao médico, como horário de início da febre, temperaturas medidas, medicamentos utilizados e outros sintomas.

O uso de antitérmicos deve seguir orientação médica, considerando idade, peso e condições da criança. O objetivo do medicamento é melhorar o conforto, e não apenas reduzir o número do termômetro.

A avaliação pediátrica individualizada é fundamental, pois cada criança apresenta uma história, idade e condição clínica diferentes.

Ter um pediatra de confiança traz mais segurança

Muitas dúvidas sobre a febre podem ser resolvidas rapidamente com a orientação de um pediatra que conhece a criança. Ter um profissional de confiança para contato direto ajuda os pais a identificarem situações realmente urgentes, evitando idas desnecessárias ao pronto-socorro e trazendo mais tranquilidade.

Referência:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Infectologia. Abordagem da febre aguda em pediatria e reflexões sobre a febre nas arboviroses. Documento Científico, nº 206, 15 maio 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf. Acesso em: 25 jun. 2026.